segunda-feira, 16 de julho de 2018

MECANISMOS DE AÇÃO DOS FÁRMACOS

TEXTO ORIGINAL EM: Blog do Prof. Dr. Manoelito Coelho dos Santos Junior

A utilização de fármacos envolve modificações e regulações que os mesmos provocam no organismo, pode-se considerar que compostos com atividade biológica provocam sua ação farmacológica de duas formas bem distintas, quanto ao seu mecanismo de ação, sendo estas formas os mecanismos inespecíficos e específicos.
Os fármacos com ação inespecífica não necessitam de alvos moleculares (receptores, canais iônicos, enzimas) para desencadear sua ação farmacológica, isto ocorre através das propriedades físico-químicas do próprio fármaco, como grau de ionização, solubilidade, tensão superficial e atividade termodinâmica. O exemplo mais conhecido de fármacos com ação inespecífica são os antiácidos, o mecanismo de ação ocorre por uma reação de neutralização, que faz com que o pH estomacal aumente, nesta situação não ocorre a interação do antiácido com algum receptor do estômago.
A ação inespecífica constitui a minoria dos fármacos, o mecanismo mais comum são para aqueles que agem de maneira especifica, ou seja, necessitam se ligar a alvos moleculares específicos para desencadearem sua ação farmacológica. Estes fármacos podem agir da seguinte forma: atuação sobre enzimas (ativação ou inibição), antagonismo, ação sobre membranas, ação na transcrição gênica.
Certos fármacos podem fornecer íons inorgânicos que irão atuar como ativadores de enzimas, este íon  pode atuar de duas formas distintas: 1) O íon interage com o inibidor da enzima, inativando-o e assim impedindo que a enzima perca a sua ação; 2) o íon pode interagir diretamente com a enzima no sentido de alterar-lhe a conformação espacial e assim ativa-la. Outros fármacos podem ativar enzimas por mecanismo de adaptação, ou seja, a presença do fármaco induz a enzima a modificar sua estrutura do seu estado inativo para ativo, este fato pode ser observado com os fármacos da classe dos barbitúricos, que induzem enzimas de seu metabolismo, este é um dos principais mecanismo de tolerância a barbitúricos.
No sentido de inativar enzimas os fármacos podem atuar de maneira competitiva ou não-competitiva. Na inibição competitiva o fármaco  e o substrato natural da enzima competem pelo sitio ativo da enzima. Neste tipo de inibição dois aspectos devem ser analisados: o primeiro deles diz respeito a concentração do substrato e do inibidor, a medida que a concentração de substrato torna-se superior ao inibidor, o substrato passa a deslocar o inibidor do sitio ativo da enzima reativando-a; o segundo aspecto que deve ser levado em conta, refere-se mais a um fator de desenvolvimento farmacológico, pois o inibidor deve possuir uma semelhança estrutural com o substrato da enzima, já que , enzima são catalisadores orgânicos com alta régio e estereoseletividade. A moclobemida aumenta a concentração de noradrenalina e assim reduz estados depressivos, que são caracterizados por baixas desse neurotransmissor.
Na inibição não-competitiva o fármaco combina-se com as enzima ou com o complexo enzima-substrato em um local diferente do sitio catalítico, ou seja, esse fármaco atua no sitio alostérico da enzima, que é o sitio responsável em manter a enzima em sua conformação ativa. Um exemplo desta inibição é o iodeto de ecotiofato que atua no sitio alostérico de enzima acetilcolinesterase desta forma inativando a enzima e aumentando a concentração de acetilcolina. Vale ressaltar que na inibição não-competitiva a ação do fármaco é independente da concentração do substrato, dependendo unicamente de sua concentração e sua velocidade de dissociação neste tipo de inibição, o fármaco não necessita ter semelhança estrutural com o substrato.
Outra ação de fármacos sobre enzimas relaciona-se a reativação enzimática. Compostos organofosforados podem inativar a acetilcolinesterase levando a uma intoxicação colinérgica, compostos da classe das oximas (como a pralidoxima) removem os compostos organofosforados do sitio ativo da acetilcolinesterase reativando esta enzima.
Outro mecanismo de ação muito comum a fármaco é o antagonismo, o antagonismo pode ser compreendido como a capacidade que um fármaco possui reduzir ou anular a atividade de outro. O antagonismo pode ser classificado em químico, fisiológico e farmacológico.
No antagonismo químico o antagonista interage quimicamente com o agonista e assim o inativa, após a reação química entre o antagonista e o agonista pode formar-se um complexo inerte ou com atividade diminuída.
Antagonismo fisiológico é aquele em que dois agonistas atuam em sistemas fisiológicas diferentes mas que o resultado final é que o efeito de um anula ou reduz o efeito do outro. A histamina provoca vasodilatação enquanto que a adrenalina provoca vasoconstrição efeitos opostos que são conseguidos por ações em sistemas diferentes.
No antagonismo farmacológico o agonista e o antagonista atuam no mesmo alvo molecular podendo ser no mesmo sitio de ação (competitivo) em sitio de ligação diferente (não competitivo). Espera-se que no antagonismo competitivo o agonista e o antagonista possuam estruturas químicas muito próximas, como exemplo desse antagonismo tem-se a ação de adrenalina sobre os receptores alfa-1 adrenérgicos provocando um efeito hipertensor devido a vasoconstrição que ocorre após a ativação de receptores alfa-1, enquanto que a prazosina atuaria como antagonista, esse fármaco se liga ao receptor alfa-1 mas não o ativa, desta foram não ocorre vasoconstrição e assim o efeito da adrenalina é reduzido.
No antagonismo não-competitivo o antagonista atua no sitio alostérico do alvo molecular reduzindo assim a afinidade do agonista com esse alvo, uma vez que, ao ter sua estrutura alterada o agonista não consegue interagir com o receptor. Neste tipo de antagonismo o antagonista não necessita possuir semelhança estrutural com o agonista.
Fármacos que atuam na supressão da função gênica em sua maioria são agentes quimioterápicos encontrados entre antibióticos, antimaláricos, antivirais. Os fármacos supressores da função gênica podem atuar como: inibidores da biossíntese dos ácidos nucleicos e inibidores da síntese proteica.
Os inibidores da biossíntese de ácidos nucleicos são fármacos que são empregados com bastante cuidado e uma vez que eles apresentam elevado grau de toxicidade isto porque eles atuam de maneira indistintos com os processos bioquímicos tanto de parasita quanto de organismo humano, eles não possuem seletividade.
Esses inibidores da biossíntese de acido nucleicos podem ser divididos em: inibidores da biossíntese de precursores nucleotídeos em ácidos nucleicos. Nos dois casos a principal ação é sobre enzimas que participam ou da formação de nucleotídeos ou na formação de acido nucleicos. Vale destacar que certos fármacos podem atuar intercalando-se entre as bases nitrogenadas.
Fármacos que atuam na síntese proteica podem desempenhar sua ação por meio de 2 mecanismos distintos: efeito sobre a expressão proteica; efeito sobre a síntese proteica. Fármacos que atuam na expressão gênica desempenham sua função por se ligarem a receptores intracelulares que após ativados terão ação sobre o DNA desta forma a atividade de enzimas como a DNA polimerase e a formação de RNAm poderão ser afetados. Os glicorticoides são fármacos que atuam por este mecanismo uma vez que, ao se ligarem a seus receptores eles diminuíram a expressão da enzima ciclooxigenase-2. As quinolonas atuam inibindo a ação de DNA polimerase.
Fármacos que atuam sobre a síntese proteica tem como seu alvo molecular o ribossomo, os fármacos podem atuar da seguinte forma: bloqueio de leitura do RNAt no sitio A dos ribossomos, mecanismo desenvolvido pelas tetraciclinas, bloqueio de enzima peptidiltransferase, desta forma não ocorre a formação de ligação peptídica, mecanismo desenvolvido pelo cloranfenicol; bloqueio da etapa de translocação impedindo assim que a cadeia peptídica se forme, mecanismo desenvolvido por aminoglicosideos.
Os fármacos que atuam sobre a membrana plasmática possuem os seguintes mecanismos. A) alteração de sua estrutura; B) interferência sobre os sistemas de transporte.
Os fármacos antifúngicos formam poros nas membranas plasmáticas dos fungos, após sua ligação com o ergosterol, desta forma o fungo perde eletrólitos e outras componentes celulares que são importantes para seu desenvolvimento e sobrevivência
Na membrana plasmática muitos transportes são utilizado para a entrada de nutrientes, íons e outras moléculas importantes para o desenvolvimento da célula. Alguns fármacos podem atuar nesses transportadores de maneira a ativa-los ou inativa-los.
A insulina ao se ligar em seus receptores ativa a enzima tirosina cinase, esta enzima por sua vez desencadeia uma serie de reações de fosforilação e desfosforilação que irão culminar na translocação que irão culminar na translocação do transportador GLUT para a membrana facilitando assim a entrada de glicose na célula.
Antihipertensivos como o nifedipino bloqueiam canais de Ca+2, como o cálcio é essencial para mecanismos de contração, com esse bloqueio ocorre um relaxamento da musculatura vascular e assim esses fármacos reduzem a pressão arterial.
Benzodiazepínicos são fármacos que atuam por modulação alostérica, aumentando assim a afinidade do neurotransmissor GABA com o seu receptor, o aumento desta afinidade leva ao aumento da frequência de abertura dos canais de cloreto e um maior influxo deste íon provoca uma hiperpolarização de membrana e ao surgimento de potenciais pós-sinápticos inibitórios.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

ALUNOS 2018 1º SEMESTRE

CURSO DE ENFERMAGEM- UFMA

  1. ANA CAROLINA OLIVEIRA DOS SANTOS
  2. ANDHERSON MATEUS DA SILVA LIMA
  3. ARYANA SANTOS BARBOSA
  4. BRENNO FERREIRA DO MONTE
  5. ERIKA VIANA BEZERRA
  6. FRANCISCA NAYARA DOS SANTOS MADEIRA
  7. GLORIA AMORIM DE ARAUJO
  8. JOICE MARIA SILVA DE SOUSA
  9. LAYNNE LUCENA BARBOSA
  10. LUCAS MACIEIRA SOUSA DA SILVA
  11. LUIZA PEZZATTO ARAUJO MENDES
  12. MARIA DENISE VENANCIO
  13. MARIA JARDEANE NOGUEIRA DOS SANTOS
  14. NATALIA SANTOS PEREIRA
  15. REJANE RIBEIRO E SILVA
  16. SALRO DOS SANTOS SILVA
  17. SANDEYVISON OLIVEIRA DA SILVA
  18. WALLERYA SILVA ROQUE VIANA

quinta-feira, 6 de abril de 2017

AULAS MINISTRADAS


1. Cálculos de medicamentos   Video sobre questões comentadas


2. Formas farmacêuticas   Video sobre formas farmacêutica


3. Vias de administração Video sobre vias de administração


4. Farmacodinâmica    Video sobre farmacodinamica


5. Farmacocinética   video sobre farmacocinética


6. Drogas autonômicas    Video Farmacologia adrenérgica
                                       Video sobre Colinérgicos

7. Drogas Anti-hipertensivas e Diuréticas

8. Ant-inflamatórios 



A SER MINISTRADAS

Drogas anti-hipoglicemiantes

Insulinas

Hormônios da tireoides

Anti concepcionais   VIDEO


Anti inflamatórios 




Alunos Enfermagem 2017.1



2014037006 ALDO LOPES DA COSTA JUNIOR
2015056024 CAROLINA JOLVINO DUARTE COSTA
2015058735 EVELIN GABRIELA SANTOS MIRANDA
2014037042 FLAVIA ADRIANA MOREIRA SILVA LOPES
2015048775 GISELE MATOS DE AZEVEDO
2015060733 GIULLIA EMILIANA DAMASIO OMIZZOLO
2015048784 JACIANE ARAUJO MOURA
2015056042 JANIEL CONCEICAO DA SILVA
2012015402 JENIFER RESPLANDES MOREIRA LOBO
2015056060 LETICIA DE SOUSA BANDEIRA
2015040605 LUCAS FRAZAO FERNANDES
2015040623 MAISA ROCHA FEITOSA
2015012585 MARCELO BARROS SILVA
2010048413 MARCIA DO NASCIMENTO SINDEAUX ROCHA
2014001596 NAHDILA THAIS ALMEIDA COSTA
2015040641 PALOMA SILVA PEREIRA
2015026974 PAULO VICTOR AMORIM SILVA
2014021759 REGINA RODRIGUES GONCALVES
2015040650 SHEILA MARIA DE ALMEIDA CARVALHO

Plano de Ensino/ Enfermagem- UFMA

PORTA ARQUIVO

PLANO DE ENSINO

1 - IDENTIFICAÇÃO
CURSO: Enfermagem               DISCIPLINA: Farmacologia       Carga Horária: 90 horas
PERÍODO: 4º,    SEMESTRE:1º   ANO LETIVO: 2017
PROFESSOR: Prof.Dr.Luis Carlos Figueira de Carvalho


EMENTA: Introdução dos conceitos básicos de Farmacologia na prática da enfermagem. Estudos dos fármacos utilizados na profilaxia e no tratamento das enfermidades dos humanos. Princípios de Farmacodinâmica: sinergismo, antagonismo e antidotismo. Princípios de Farmacocinética: absorção, distribuição, metabolismo e excreção. Fatores químicos e farmacológicos que modificam a ação e os efeitos dos medicamentos. Drogas que atuam no sistema nervoso autônomo. Drogas que atuam no sistema nervoso central. Terapia da inflamação. Drogas que afetam a função cardiovascular. Drogas que afetam a função gastrintestinal. Quimioterapia das doenças microbianas, parasitárias e virais. Drogas que afetam a função respiratória.



3 – OBJETIVOS

3.1. Geral: Fornecer subsidios básicos e fundamentais para a compreensão dos mecanismos de ação dos fármacos utilizados no tratamento das diversas patologias e disfunção orgânica, bem como contribuir para a formação de um profissional crítico e reflexivo no contexto da farmacologia, colaborando para uma formação generalista e holística dos alunos, capacitando os alunos nas competências técnicas e atuar eticamente no mercado de trabalho sempre baseando-se nos amplos conhecimentos adquiridos.

3.2. Específico
a) Averiguar o processo de absorção, distribuição, metabolismo e excreção dos medicamentos administrado ao paciente;
b) Comprender o mecanismo de ação dos principais farmacos
c) Relacionar os principais grupos de farmacos com ação especificas nos diversos sistemas
d) Estabelecer os criterios de inclusão dos farmacos nos respectivos grupos farmacologicos
e) Averiguar os criterios utilizados para formulação da posologia e sua relação com o tratamento
f) Conhecer a importancia da farmacologia na pratica da enfermagem




4 – CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
·         Formas farmacêuticas e vias de administração
·         Farmacocinética: Absorção, distribuição,  metabolismo e eliminação
·         Farmacodinâmica: Mecanismo de ação
·         Drogas autonômicas. Drogas ativadoras e inibidoras dos receptores colinérgicos e adrenérgicos.
·         Drogas cardiovasculares renais. Agentes anti-hipertensivos, vasodilatadores e o tratamento da angina do peito. Glicosídeos cardíacos e drogas utilizadas na insuficiência cardíaca congestiva. Drogas utilizadas nas arritmias cardíacas. Agentes diuréticos
·         Drogas com ações importantes no músculo liso. Histamina, serotonina e os alcalóides do esporão de centeio. Peptídeos vasoativos. Eicosanóides: prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos e compostos relacionados. Óxido nítricos, doadores e inibidores. Drogas utilizadas na asma
·         Drogas que atuam no sistema nervoso central. Drogas sedativas-hipnoticas. Os alcoóis. Drogas antiepilépticas. Anestésicos gerais e locais. Relaxantes musculares. Agentes antipsicóticos e antidepressivos. Analgésicos
·         Drogas utilizadas no tratamento de doenças do sangue, inflamação e gotas. Antiinflamatórios não esteróides. Agentes antireumáticos modificadores da doença
·         Drogas endócrinas. Hormônios hipotalâmicos e hipofisários. Tireóides e drogas antitireoidianas. Adrenocorticoisteroides e antagonistas cortiço-supra-renais. Hormônios gonodais e inibidores. Hormônios pancreáticos e agentes antidiabéticos. Agentes que afetam a homeostasia do mineral ósseo
·         Agentes Quimioterápicos. Antibioticos beta-lactamicos. Cloranfenicol, tetraciclinas, macrolideos, Aminoglicosideos. Sulfonamidas. Aentes antimicobacterianos. Agentes antifúngicos. Agentes antivirais. Antiprotozoários. Antineoplásicos.


5 – METODOLOGIA DE ENSINO
5.1. Estratégias de ensino
Aula Expositiva: Trata-se de uma técnica que a maioria dos professores do ensino superior usa freqüentemente. Em geral a usam para transmitir e explicar informações aos alunos. Tendo como objetivo: abrir um tema de estudo; fazer uma síntese, após o estudo do assunto; estabelecer comunicações.
Debate com a classe toda: Objetivo principal é permitir ao aluno expressar-se em público, apresentando suas idéias, suas reflexões, experiências e vivências. Permitindo ao aluno valorizar o trabalho de grupo.
Estudo de Caso: Objetivo colocar o aluno em contato com uma situação profissional real ou simulada.
Aulas Práticas em Laboratório -  Utilizando Kits, reagentes, vidrarias, animais de laboratório, aparelhos e equipamentos
5.2. Recursos didáticos
    Data-show, quadro de pincel ou de giz, Retroprojetor, livro texto para leitura dinâmica


6 -  AVALIAÇÃO

Para o domínio cognitivo é feita através de:
·         exercício específico para cada unidade
·         avaliação formativa ao final de cada unidade
·         avaliação somativa ao final do curso
Obs.: para avaliação formativa e somativa são feitas:
1.    provas objetivas com questões do tipo falso/verdadeiro, associação (correspondência), seriação, complementação (lacuna) e múltipla escolha (complementação múltipla e assertiva-razão)
2.    provas de resposta livre (escrita)

Para o domínio afetivo, utilizamos a técnica da observação direta dos seguintes aspectos:
·         apresentação pessoal
·         freqüência, pontualidade às aulas teórico/práticas
·         pontualidade na entrega dos trabalhos

Para o domínio psicomotor  ser avaliado utilizamos:
·         observação direta do desempenho nas atividades laboratoriais e sua interrelação com as abordagens teóricas.
·         Problemas simulados


8. BIBLIOGRAFIA
8.1 – Básica

KATZUNG, B.G. Farmacologia Básica e Clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
ASPERHEIM, M. K. Farmacologia para Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
SPRINGHOUSE CORPORATION. Farmacologia para Enfermagem - Série Incrivelmente Fácil. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

8.2. Complementar

HARMAN, J. G.; LIMBIRD, L. E. GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 10.ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill, 2001.
RANG, H.D.; DALE, M.M.; RITTER, J.M. Farmacologia. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
SILVA, P. Farmacologia. 56.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
KOROLKOVAS, A. Dicionário Terapêutico Guanabara. Guanabara Koogan. Edição 2004/2005. Rio de Janeiro: 2004.
GILMAN. GOODMAN & GILMAN: As bases farmacológicas da terapêutica. 10. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill, 2003.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Alcalóide tropânicos

INTRODUÇÃO
Alcaloides tropânicos apresentam em comum uma estrutura bicíclica, denominada tropano 8-metil-8-azabiciclo(2,3,1octano).O anel tropano é formalmente constituído pelos anéis pirrolidina e piperidina.Dependendo da orientação alfa e beta de um grupamento hidroxila na posição C-3,este fornece dois isômeros geométricos: tropanol (tropina) e pseudotropanol ( tropanol ou pseudotropina).
A esterificação do grupo hidroxila com ácidos aromáticos origina os alcaloides de maior importância farmacêutica e podem ser encontrados nas famílias Solonaceae (tipo atropina) e Erythroxylaceae (tipo cocaína). Os dois tipos de alcaloides são importantes na terapêutica atual e historicamente construíram os protótipos a partir dos quais foram desenvolvidos análogos sintéticos, principalmente das classes de fármacos anticolinérgicos e anestésicos locais.

 ALCALOIDES DE SOLANACEAE E ERYTHROXYLACEAE

Preparados de beladona já eram do conhecimento dos antigos hindus e tem sido usados pelos médicos por muitos séculos. Na época do império Romano e na idade média, era designada como planta da sombra da noite e frequentemente usada para envenenamentos. Como importância do grupo lembrar na terapêutica, é importante lembrar que os alcaloides tropânico derivados do tropanol inibem as ações da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos. São conhecidos como substâncias antimuscarínicas ou bloqueadores de receptores muscarínicos colinérgicos. A cocaína só está presente em Erythroxylon coca Lam.e Erythroxylon novogranatense (Morris) Hieron.var.truxileense, com variedades domesticadas. As formas nativas das de hoje cultivadas não são mais conhecidas.


BIOGÊNESE
São conhecidas cerca de 40 alcaloides tropânicos, sendo em sua maioria derivados da pirrolidina como: higrina, cuscoigrina e os principais atropina, hiosciamina, escopolamina e cocaína.
A formação do anel pirrolidínico ocorre através dos aminoácidos arginina ou ornitina que formam o sal N-metil-delta1-pirrolíneo.Esse sal, por sua vez, responsável pelo átomo  de nitrogênio dos alcaloides, condensa-se com duas moléculas de ácido acético ativo ( acetoacetato ) formando o ácido cetocarbônico N-metil-delta1-pirrolíneo (I), completando, assim, o anel piperridínico que, por descarboxilição,forma a D-(+)-higrina(II).A partir da estrutura (I) pode-se formar a ecgonina ou o pseudotropanol,enquanto que a  partir da estrutura (II) pode-se formar o tropanol, ou ainda, os alcaloides menor importância como: higrolina e o bicíclico cuscoigrina. Pode-se observar, ainda, que a formação da hiosciamina, atropina, escopolamina e cocaína, tem a mesma origem biogenética e bem definida. A interconversão de bases tropânicas in vivo foi verificada em Datura ferox L.Alimentando a planta livre de alcaloides com 6,7 deshidroiosciamina, foi formada hioscina. Híbridos de Datura stramonium L. (contendo principalmente hiosciamina) e D.ferox L. têm no broto uma enzima que causa epoxidação e que está ativa durante todo o período vegetativo, a qual transforma a hiosciamina em escopolaminna.
Outro componente importante na biogênese dos alcaloides tropânicos é o ácido trópico (ácido alfa-fenil-beta-hidróxi-propiônico), que deriva da fenilalanina, através de uma desaminação oxidativa e deslocamento 2,3 do grupo carboxílico.Grande parte dos estudos recentes da origem biogenética do ácido trópico foi baseada em cultura de raízes. As culturas são obtidas por infecção da superfície ligeiramente danificada da folha ou do caule estéril de plantas produtoras de ácido trópico, como Datura stramonium L., com uma suspensão de bactéria patogênica, Agrobacterium rhizogenes. A bactéria insere nas células da planta uma pequena porção de DNA (Ri-DNA), o qual estimula a divisão celular, provocando a formação da raiz. As raízes emergentes podem ser removidas, tratadas por antibiótico, para eliminar as bactérias remanescente, e cultivadas em meio liquido estéril.




As culturas não são apropriadas para todos os estudos. Em Datura stromonium L., a escopolamina é o produto em maior quantidade na folhas, mais somente traços desse alcaloide são recuperados de cultura de raízes. Em outras espécies, como Hyoscyamus muticus L. ou um híbrido de espécies de Brugmansia, a escopolamina se acumula em cultura de raízes, como o alcaloide majoritário. O requerimento chave para o uso de cultura de raízes, é que esse tecido deve ser o local de biogênese do vegetal. Estudos em cultura de raízes demonstram que, apesar de fenilalanina, fenilpiruvato e fenillacetato serem incorporados na metade éster tropato de hiosciamina, (R)- fenil lactato é o estereoisômero utilizado durante a biogênese do éster trópico. Existem evidência de que o éster tropínico de (R)-fenilacetato, litorina, sofre rearranjo in vivo para hiosciamina. O esqueleto tropânico é originário de ornitina, acetato e metionina. Os quatros átomos de carbono, C1, C5, C6 e C7 e o átomo de nitrogênio da tropina derivam da ornitina. Os três átomos de carbono restantes, C2, C3 e C4 são provenientes do acetato.
Litorina e hiosciamina são encontradas conjuntamente em espécies de Datura e outras Solanáceas produtoras de alcalóides. Como verificado anteriormente, em diversos experimentos, houve indicação de que a litorina é um precursor da hiosciamina.
Segundo pesquisas estudaram a seleção natural dos dois alcalóides existentes em maior porcentagem nas folhas de Datura stramonium L. Existem evidências de que insetos herbívoros atuam como agentes de seleção para esses alcalóides. Foi verificada uma seleção natural negativa para escopolamina, isto é, a seleção natural atuando no sentido de diminuir o teor de escopolamina, e mantendo um teor intermediário de hiosciamina.
OCORRÊNCIAS E QUIMIOTAXONOMIA
Os alcaloides tropânicos de Datura (Datura stramonium L.) foram introduzidos na medicina européia por imigrantes romanos. A família Solanaceae é considerada o lar dos alcaloides tropânicos. As drogas contendo alcaloides tropânicos foram utilizadas por suas propriedades alucinógenas, incorporando-se no folclore como bruxaria. O maior espectro de alcaloides tropânicos é encontrado em representantes da tribo Datureae, nos gêneros Datura e Brugmansia. Atropa beladona L., pertencente a tribo Solaneae, é uma espécie muito estudada, possuindo como alcaloides principais hiosciamina, escopolamina e apoatropina. Apesar de o gênero Solanum não conter os alcaloides tropânicos usuais, a presença de calistegina A3 juntamente com calistegina B2 foi verificadas nas folhas de algumas de suas espécies, tais como Solanum tuberosum L., Solanum dulcamara L. e Solanum melongena L.
Os alcaloides do grupo da higrina, tropina, cuscoigrina e nicotina são bastante característicos da família Solanaceae. Em muitas espécies, após brotamento, pode haver transposição e transformação, como epoxidação. Em outras, os alcaloides encontram-se praticamente só nas raízes, indicando uma deposição nas mesmas ou uma decomposição no broto. De acordo com Shonle e Bergelson, os alcaloides tropânicos são sintetizados nas raízes e acumulados nos vacúolos.
Alcaloides tropânicos isolados de várias espécies das famílias Convolvulaceae, Dioscoreaceae, Erythroxylaceae e Solanaceae, exibem a mesma estrutura básica. Todos são ésteres de ácidos orgânicos (atrópico, benzoico, cinâmico, isovalérico, d-metilbutírico, tíglico, trópico, truxílico e verátrico) combinados com uma série de hidraminas bicíclicas (metilecgonina, nortropina, pseudotropina, escopina, tropina e outros). Esses alcaloides estão presentes em alguns dos 85 gêneros da família Solanaceae, destacando-se Atropa, Datura, Duboisia, Mandragora e Scopolia, sendo encontrados, porém, em menor números, nas famílias Erythroxylaceae, Convolvulaceae e Dioscoreaceae. Todas as espécies possuem misturas de alcaloides trpânicos, principalmente com hiosciamina e escopolamina, nas folhas e sementes, enquanto que as flores e raízes apresentam misturas mais complexas de ésteres tropínicos e de outros derivados tropânicos.
Hyoscyamus niger L. é vegeta-oficial em minutos países e conhecido há muito como espécie contendo hiosciamina e escopolamina. Hyoscyamus muticus L., que contém uma teor mais elevado de alcaloides, principalmente hiosciamina e tetrametilputrescina, também é utilizado farmaceuticamente. Todas as espécies estudadas do gênero contém hiosciamina e escopolamina em folhas e sementes.
A literatura sobre química, biogênese, fisiologia e farmacologia de Solonaceae, contendo alcaloides tropânicos e nicotínicos é muito ampla, encontra-se literatura específica em Hegnauer.
O gênero Erythroxylon possui cerca de 200 espécies, distribuídas nas regiões tropicais da América do Sul e da ilha de Madagascar. A cocaína encontra-se nas folhas de Erythroxylon coca Lam e nas variedades domesticadas como a var. spruceanum Bruck, também conhecida como coca-do-eru ou coca-de-java e em Erythroxylon novogranatense (Morris) Hieros var.truxillense, denominada coca-da-colônia (coca–truxilo).
Defesas químicas em insetos, particularmente lepidópteros, contra predadores, têm sido observada desde o século XIX. Substâncias como alcaloides tropânicos podem ser sequestrada da planta hospedeira larval, obtidas de fontes vegetais visitadas por adultos ou biossintetizadas de novo. Alcaloides tropânicos foram encontradas em larvas e adultos de Placidula euryanasa, tenso sido sequestrada da planta hospedeira das larvas, Brugmasia suaveolens. A larva de Miraleria cymothoe, que se alimentava do mesmo hospedeiro, excreta aqueles alcaloides.







PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICA E QUÍMICA
            Entre os alcaloides das Solanáceas destacam-se, pela importância terapêutica atual, a escopolamina e a hiosciamina. Esta é o isômero levórigo formando a partir do ácido (-) trópico. A atropina é o composto racêmico, isto é, (RS)-hiosciamina, que par
ece não existir na planta fresca. Durante a colheita, secagem e, principalmente, extração, a (RS)- hiosciamina transforma-se facilmente em atropina, a qual, por sua vez, pode ser transformada em apoatropina, pela perda de uma molécula de água. Embora possa ser obtida por síntese, a atropina ainda é obtida a partir de fontes naturais. Na forma de base livre, é obtida como cristais incolores e apresenta baixa solubilidade em água, sendo solúvel em etanol e em clorofórmio. Apresenta reação alcalina em soluções saturadas, alcançando PH 9,5. A base livre é utilizada em veículos oleosos, no entanto, devido a melhor solubilidade e estabilidade, é utilizada, principalmente, na forma de sulfato. Este é preparado neutralizando atropina,em acetona ou éter, como solução de H2S04, cuidadosamente, para prevenir a hidrólise.
            A escopolamina é o estereoisômero levorotatório, isto é, (S)-(-) escopolamina (hiosciamina); em meio alcalino ocorre a racemização, resultando na mistura denominada atroscina. A tendência a racemização, no entanto é menor do que com a hiosciamina. Na forma de base livre, é um liquido viscoso solúvel em água. Forma um mono-hidrato cristalino, de ponto de fusão 59ºC. É utilizada também na forma de bromidrato e butilbrometo.







EXTRAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS ALCALOIDES
            Os alcaloides tropânicos são muito semelhantes nas suas características físico-químicas. Por serem animais terciárias, possuem um comportamento semelhante ao da maioria das alcaloides, ou seja, são solúveis, como base livres, em solventes apolares e, na forma de sais, em solventes polares. É conhecido que os alcaloides, de maneira geral, encontram-se no vegetal fresco, combinados como ácidos fracos, portanto, solúveis em água. A transformação sal-base é o processo mais comum utilizado para purificação inicial, objetivando a determinação qualitativa e quantitativa. Caso os alcaloides tropânicos sejam extraídos como bases livres a partir dos sais, não devem ser adicionadas bases fortes, pois os ésteres podem ser saponificados ou ainda, podem provocar racemização, como na hiosciamina, transformando-a em atropina.
            A extração por fluido supercrítico é um método bastante utilizado para a extração de metabólitos secundários, a partir de matrizes sólidas, como material vegetal. Representa uma alternativa para a extração sólido-líquido tradicional, como por Soxhlet, com menor consumo de solvente e temperatura. A cocaína já foi extraída por fluido supercrítico em amostras de cabelo. Brachet et al.(1999) utilizaram a extração por fluido supercrítico, como modificador polar, para obtenção de hiosciamina e escopolamina a partir de cultura de raízes de Datura candida (Pers.) Saff. X Datura aurea (Lagerh.) Saff.  E de cocaína, a partir de Erythroxylon coca Lam. Var. coca.
            Para a detecção de cocaína pode ser realizada um reação de coloração com tiocianato de cobalto. Uma solução de Co(CNS)2 a 2% em glicerina-água desenvolve uma coloração azul.       Existem métodos biológicos, que entretanto são pouco utilizados na rotina da indústria farmacêutica. A midríase é característica dos alcaloides tropânicos, sendo que uma quantidade de 0,002 mg de atropina, injetada subcutaneamente em camundongos, provoca dilatação da pupila.



ATIVIDADES FARMACOLÓGICAS E BIOLÓGICAS
            Os alcaloides da beladona são absorvidos rapidamente a partir da trato gastrointestinal. Penetram na circulação sanguínea quando aplicados topicamente nas mucosas. Na pele intacta sua absorção é apenas limitada. A maior parte da atropina é excretada na urina nas primeiras doze horas após sua administração, em parte, inalterada, no entanto, os efeitos oculares podem persistir por alguns dias.
            Os alcaloides tropânicos inibem as ações da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos, bem como na musculatura lisa, que é desprovida de inervação colinérgica. Os agentes muscarínicos, de maneira geral, têm pouco efeito sobres as ações da acetilcolina em receptores nicotínicos. Na junção neuromuscular, na qual os receptores são nicotínicos, são necessárias doses extremamente altas de alcaloides tropânicos para produzir algum grau de bloqueio. É provável que a maioria dos efeitos dos alcaloides tropânicos no SNC em doses usuais seja atribuível ás suas ações antimuscarínicas centrais. Em doses altas ou tóxicas, os efeitos centrais dos referidos alcaloides consistem, em geral, de estimulação seguida por depressão. Pequenas doses deprimem as secreções salivar, brônquica e as sudoreses. Com doses maiores, há dilatação da pupila, a capacidade de acomodação do olho é inibida e os efeitos vagais sobre o coração são bloqueados, o que ocasiona o aumento da frequência cardíaca. Doses maiores inibem o controle parassimpático da bexiga e do trato gastrointestinal, dificultando a micção e diminuindo o tônus muscular e a motilidade intestinal. Doses ainda maiores são necessárias para inibir a secreção e a motilidade gástrica.
           





As ações antimuscarínica da atropina e da escopolamina diferem quantitativamente. A escopolamina tem ação mais potente sobre a íris, o corpo ciliar e certas glândulas secretoras (salivares, brônquicas e sudoríparas), sendo a atropina mais potente no coração, nos intestinos e músculos bronquiolares, além de ter ação mais prolongada. No entanto, a ação no sistema nervoso central é marcadamente diferenciada: enquanto a escopolamina provoca depressão, a atropina não deprime o SNC em doses usadas clinicamente, portanto, é preferida á escopolamina na maioria das situações. Quando algum efeito central não é desvantajoso ou, até mesmo, desejável, como em medicação pré-anestésica, a escopolamina é frequentemente administrada.
            A atropina, no SNC, estimula a medula espinal e os centros cerebrais superiores. A escopolamina, em doses terapêuticas, normalmente causa sonolência, euforia, amnésia, fadiga e sono sem sonhos. As substâncias atropínicas dilatam a pupila (midríase) e paralisam a acomodação (cicloplegia).
            Drogas antimuscarínicas têm sido amplamente empregadas no tratamento da úlcera péptica. Aparecem como efeitos colaterais secura da boca, perda de acomodação visual, fotofobia e dificuldade na micção. É difícil estabelecer a utilidade dos antimuscarínicos no tratamento da úlcera péptica.
            Os alcaloides tropânicos e seus substitutos sintéticos reduzem a salivação excessiva, como a associada ao envenenamento por metais pesados ou parkinsonismo.
           
          
EMPREGO FARMACÊUTICO
            Medicamento contendo alcaloide tropânico são utilizados para diminuição de cólicas nos ureteres e aquelas provocadas por cálculos renais; em espasmos brônquicos, nos caso de asma brônquica. São também utilizados em espasmos do trato gastrointestinal, portanto, contra cólicas e em hipersecreção gástrica. Esse grupo de substância também tem uso como anestésico local, por atuar na dessensibilização das terminações nervosas. Em função de sua ação antiespasmódica, os alcaloides tropânicos são utilizados em colites e gastroenterites. A ação antissecretora permite o uso na redução da secreção respiratória, como medicação pré-anestésica, e das secreções nasais, em alergia. Também são utilizados como antídotos em envenenamentos por inibidores da colinesterase, como por inseticidas organofosforados e carbamatos. A par da utilização dos alcaloides isolados, principalmente atropina e escopolamina e seus derivados semissintéticos, existe um número significativos de produtos contendo extratos vegetais das plantas desse grupo. Especificamente como a beladona, no Catálogo Brasileiro de Produtos Farmacêuticos, da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, editado em 1984, eram mencionados 248 produtos.
            O sulfato de atropina é um sal solúvel, disponível sob as formas de comprimidos, solução injetável e solução oftálmica. A dose média, por via oral ou parenteral de sulfato de atropina, para adultos, é de 0,5 mg. A escopolamina é comercializada sob a forma de sal solúvel, o bromidrato de escopolamina; a dose para adultos, por via oral ou parenteral, é de 0,6 mg. A escopolamina também pode ser usada sob a forma de solução oftálmica.
            Existem observações clínicas de que os compostos de amônio quaternário têm efeito relativamente maior na atividade gastrointestinal e que as doses necessárias para tratar distúrbios do tudo digestivo são, portanto, mais facilmente toleráveis; esse fato deve-se ao bloqueio ganglionar adicional. Tanto os alcaloides de amônio quaternário, como a atropina, não produzem controle adequado da secreção gástrica ou da motilidade gastrintestinal, em doses que não apresentam efeitos colaterais significativos, por bloqueio muscarínico. A cocaína atualmente só é utilizada terapeuticamente como anestésico local.
 DROGAS VEGETAIS
BELADONA
Nome científico: Atropa beladona L.
Família botânica: Solanaceae
Parte usada: folhas e sumidades floridas
Monografias farmacopeias: está escrita nas Farmacopeias de praticamente todos os países; a Ph. Eur. III e as farmacopeias de países europeus apresentam também monografia para o pó normatizado das folhas.
A beladona provavelmente já era conhecida pelos povos antigos, não existindo relatos exatos até o início do Século XVI. As folhas foram introduzidas na London Pharmacopeia de 1809. O nome Atropa lembra uma das parcas da mitologia grega, que era encarregada de interromper o fio da vida dos mortais e a designação popular Bella Donna, vem da Itália, onde as mulheres utilizavam o sumo dos frutos que, por serem midriáticos, aumentavam o tamanho da pupila, tornando-as mais bonitas.
Atropa beladona L. é um arbusto perene, com 0,5 a 1,5 m de altura, existente principalmente na Europa Central e Sul. O cultivo ocorre principalmente na Alemanha, Inglaterra, Índia e Estados Unidos.
A droga da Farmacopeia Brasileira consiste de todas as partes aéreas, mas Ph. Eur. III estabelece um limite máximo de 3% de caules de diâmetro maior que 5 mm, enquanto que a USP 23 admite o mesmo percentual, mas para caules com diâmetro maior que 10 mm. Esta última também admite Atropa acuminata Lindl. Na monografia de folhas de beladona e exige 0,35% de alcaloides, enquanto a Farmacopeia Brasileira e Ph. Eur. III determinam um teor mínimo de 0,3% de alcaloides totais calculados como hiosciamina. Tanto a Ph.Eur. III como a USP 23 incluem monografias para o pó normatizado das folhas, com teor de alcaloides totais entre 0,28 e 0,32%. Raízes também estão inscritas em algumas farmacopeias. As raízes do primeiro ano não devem ser coletadas, porque não são comercialmente viáveis, apesar de terem um teor elevado de alcaloides, sendo recomendada a coleta a partir do terceiro ano.
Dados químicos:
As folhas de Atropa belladona L. contêm em média 0,30 a 0,50 % de alcaloides, sendo o principal hiosciamina. Pequena quantidade de bases voláteis, como nicotina, piridina e N-metilpirrolina estão presentes, bem como glicosídeos flavônicos e as cumarinas escopoletina e escopolina. São encontrados, também, higrina, higrolina, cuscoigrina, tropinona, tropina, pseudotropina e nove ésteres de tropanol.  Além destes, encontra-se beladonima (um produto de degradação, derivado da condensação da apoatropina). A relação hiosciamina-escopolamina é de 20:1, sendo as folhas de beladona pobres em escopolamina, o que as diferenciam do estramônio e meimendro, que possuem um teor maior em escopolamina.
Dados farmacológicos e toxicológicos:
            A droga, tanto partes aéreas como raiz, tem ação antiespasmódica sobre a musculatura lisa do TGI, vesícula biliar e bexiga, além de diminuir as secreções. Em doses elevadas é estimulante do SNC, podendo induzir o indivíduo ao coma profundo. A ação estimulante sobre o SNC deve-se ao maior teor de hiosciamina em relação á escopolamina.
            A beladona é conhecida como uma espécie altamente tóxica, tendo sido empregada como veneno desde de tempos antigos. Todas as partes da planta devem ser consideradas tóxicas. No entanto, as intoxicações de modo geral ocorrem pela ingestão dos frutos pretos, atraentes e de sabor doce, principalmente pelas crianças, para as quais 3 a 4 frutos são considerados letais.

Efeitos adversos e precauções de uso:
            Como os alcaloides tropânicos têm ação anticolinérgica, em qualquer efeito desejado, poderão ocorrer as outras ações do simpático como efeitos colaterais.
            A droga e suas preparações são contraindicadas em taquicardia, arritmias, adenoma de próstata, glaucoma, edema de pulmão, estenose no trato gastrintestinal e megacolon. Com efeitos colaterais surgem secura da boca, diminuição das secreções sudoríparas, dificuldade de acomodação visual, vermelhidão e secura da pele, hipertermia, taquicardia, dificuldade de micção, alucinações e câimbras (principalmente em sobredose).

 ESTRAMÔNIO
Nome cientifico: Datura stramonium L.
Família botânica: Solanaceae
Parte usada: folhas e sumidades floridas
Monografias farmacopeicas: está inscrita nas Farmacopeias de praticamente todos os países; a Ph. Eur. III e as farmacopeias de países europeus apresentam também monografia para o pó normatizado das folhas.
            Datura é um gênero com cerca de 11 espécies, originárias da América Central. Algumas espécies são utilizadas como alucinógenas, especialmente em ritos mágicos e religosos, por indígenas americanos.
            Datura stramonium é um arbusto ruderal anual, crescendo em solos ricos em nitrogênio, atingindo uma altura de até 2 m, originário da América Central, provavelmente do México, encontrando-se assilvestrado na Europa e nas Américas. No Brasil recebe as denominações populares estramônio, figueira-do-inferno, erva-do-diabo e figueira-brava. A maioria da droga vem hoje da Rússia e dos países balcânicos. São utilizadas as seguintes variedades, consideradas de teor equivalente em alcaloides:
            Datura stramonium var. stramonium, de flor branca e fruto espinhoso;
            Datura stramonium var. tatula (L.) Torr, de flor violeta e fruto espinhoso;
            Datura stramonium var. inermis (Jacq.) Timm, de flor branca e fruto liso;
            Datura stramonium var. godroni Danert, de flor violeta e fruto liso. A droga possui odor fraco, desagradável e sabor amargo.

Dados químicos:
            A droga (folhas de estramônio) não deve conter menos de 0,25% de alcaloides, calculados em hiosciamina.
            O estramônio contém, em média, o,2 a 0,6% de alcaloides, sendo que a proporção entre os principais alcaloides hiosciamina e hioscina (escopolamina) é de 2:1. Os caules maiores contêm pequena quantidade de alcaloides, sendo que a droga oficial não deve conter mais de 3% de caules com mais de 5 mm de diâmetro. Sementes de estramônio contêm cerca de 0,2% de alcaloides tropânicos e aproximadamente 15 a 30% de óleo fixo. De acordo com Ph.Eur.III, o pó final deve ser ajustado para um teor de alcaloides de 0,23 a 0,27%.

Dados farmacológicos e toxicológicos:
            Em função da presença dos mesmos alcaloides, hiosciamina e escopolamina, as ações da droga são semelhantes ás referidas para a beladona.
            Intoxicações acidentais são de ocorrência rara, por não serem os frutos e folhas de aspecto atraente, ocorrendo, no entanto, pelo uso intencional para suicídio ou envenenamentos ou ainda como alucinógenos. Em função das presença dos alcaloides hiosciamina e escopolamina, os sintomas de intoxicação.

 TROMBETEIRA
Nome científico: Brugmansia suaveolens
Sinonímia científica: Datura suaveolens
Família botânica: Solanaceae
Parte usada: folhas
Brugmansia suaveolens é uma espécie originária da América do Sul tropical, sendo conhecida em cultivo e utilizada no Brasil como ornamental. É conhecida como trombeteira-cheirosa, cartucheira, sai-de-velha, trombeta e saia-branca, sendo considerada como uma fonte potencial de alcaloides tropânico.
O teor de alcaloides tropânico varia de 0,36 a 0,56%. Como o teor de escopolamina é bem maior que o de hiosciamina, todas as ações farmacológicas e tóxicas serão devidas àquele alcaloide, os efeitos são os mesmos relatados para Datura stramonium L.

 MEIMENDRO
Nome científico: Hyoscyamus niger L.
Família botânica: Solanaceae
Parte usada: folhas e sumidades floridas
            O meimendro já era conhecido por Dioscórides e utilizado pelo antigos. A espécie era empregada contra dores do trato gastrintestinal e na antiga Babilônia. Depois de um período de esquecimento, no século XVIII a droga foi reintroduzida na London farmacopeia, de 1809. No Brasil, recebe as denominações populares meimendro-negro e erva-dos-cavalos. A espécie é uma erva anual ou bianual, nativa na Europa, Ásia e Norte da África; Também largamente cultivada e naturalizada em partes da América do Norte é empregada principalmente em espasmos do trato gastrintestinal, sendo os efeitos indesejados e precauções semelhantes aos apontados para a beladona.
Dados químicos:
            De acordo com a Ph. Eur. III, folhas do meimendro devem conter no mínimo 0,05%, e o pó normatizado entre 0,05 e 0,07% de alcaloides totais, predominando hiosciamina e escopolamina. A relação entre os dois alcaloides é de ordem de 1,2:1. Estão presentes flavonoides, principalmente rutina e cerca de 8% de taninos.
Dados farmacológicos e toxicológicos:
            O meimendro é semelhante a beladona e o estramônio em sua ação, porém mais tênue, devido ao menor teor de alcaloides tropânico. Intoxicações são relatadas, em crianças, mais menor frequência em relação a á beladona, porque a planta é, em geral, evitada pelo seu odor e consistência desagradável.

 COCA
Nome científico: Erythroxylon coca Lam. E Erythroxylon novogranatense
Família botânica: Erythroxylaceae
Parte usada: folha
            Erythroxylon coca Lam. É a fonte da folhas de coca comercial de onde toda cocaína é derivada. O cultivo ocorre nas zonas montanhosas do leste dos Andes, praticamente não existindo fora dessa região, em um ambiente tropical favorável, com alto índice pluviométrico, clima ameno e solo rico em minerais e muito bem drenado. A coca andina é cultivada a partir de sementes e as folhas são coletadas a pós dois a três anos. As folhas contêm entre 0,23 e 0,96% de cocaína. A coca colombiana, Erythroxylon novogranatense, adapta-se a locais quentes e secos e de menor altitude. O teor médio de cocaína de coca colombiana é de 0,47%. A sua variedade constitui a coca-de-trijillo, existente no comércio, e está bem adaptada a condições de deserto. Suas folhas contêm até 1% de cocaína, sendo ricas em salicílato de metila, o que torna essa variedade muito agradável em bebidas. A coca-da-Amazônia, Erythroxylon coca Lam, ocorre no Oeste da Amazônia, sendo cultivada e utilizada por grupos nativos do Peru, Brasil e Colômbia.
            A importância dessas espécies e variedades está relacionada com a presença da cocaína a qual foi isolada pela primeira vez por Niemann em 1860, que notou um sabor amargo e um efeito particular na língua tornando-a insensível e quase destituída de sensação. E de se registrar que a Coca-Cola e algumas outras bebidas continham cocaína até 1904, quando o uso da mesma foi proibido

Dados químicos:
            A espécie Erythroxylon coca Lam, contêm 0,2 a 0,8% de alcaloides sendo 90% cocaína. Esses alcaloides podem ser subdivididos em três, destes, somente a ecgonina possui importância comercial.
            A extração da cocaína segue basicamente os métodos de extração dos alcaloides. Obtêm-se a pasta de coca e a cocaína pura, através de etapas subsequentes de purificação. Para identificação da cocaína pode ser utilizada a reação de tiocianato de cobalto e a hidrólise me meio ácido, quando ocorre a formação de ácido benzoico, comprovado após sua cristalização em meio aquoso e benzoato de metila, detectado pelo odor. Como ensaio de pureza, as farmacopeia preconizam a verificação da presença do enantiômero levogiro, através da determinação da rotação específica e verificação da presença de cinamoilcocaína, através de teste para compostos redutores (solução de permanganato de potássio). Este permite detectar, também, anestésicos locais sintéticos derivados do ácido 4-aminobenzóico, eventualmente utilizados como adulterantes da cocaína.
 Dados farmacológicos:
            A cocaína é absorvida de todas as membranas e mucosas. A meia vida da cocaína no plasma é de, aproximadamente 1 hora. Aplicada localmente localmente, bloqueia o início da condução do impulso nervoso. A diminuição do apetite também se deve a ação anestésica local.
             A cocaína é um estimulante potente do sistema nervoso central, os seus efeitos estimulantes estão relacionados a sua habilidade de inibir o transportador da dopamina, ligado a membrana (DAT). Ela inibe a monoaminoxidase (MAO), aumentando a noradrenalina e a serotonina, causando, portanto midríase e vasoconstrição periférica, mantendo o anestésico mais tempo no local.     
            Além das ações citadas, a cocaína inibe a recaptura de catecolaminas nas terminações adrenérgicas; Esse processo é o principal responsável pela estimulação do sistema cardiovascular e do SNC. No início ocorre uma sensação de bem estar e euforia. Após pequenas quantidades de cocaínas, a atividade motora é bem coordenada; com o aumento da dose podem ocorrer tremores e crises convulsivas. O centros vasomotor e do vômito podem também participar da estimulação provocando emese. Dose de 50mg de cocaína, por via oral, já provoca alucinações que rapidamente é seguida por depressão. Os centros medulares vitais são deprimidos, resultando em morte por insuficiência respiratória

 Dados toxicológicos e outras informações:
            A cocaína por via endovenosa pode causar morte imediata por insuficiência cardíaca, devido a ação tóxica direta sobre o músculo cardíaco.
A absorção da cocaína aumenta na presença de processos inflamatórios, havendo uma acentuação dos efeitos sistêmicos do fármacos. Após a absorção a cocaína é degradada pelas esterases plasmáticas e, em alguns animais, pelas enzimas hepáticas. Pequenas quantidades são excretadas inalteradas na urina em doses elevadas ocorre paranoia, ansiedade, comportamento estereotipado, alucinações visuais, auditivas e táteis.
            A par da importância cultura e como droga de abuso neste século, historicamente a cocaína exerceu papel decisivo para o desenvolvimento dos medicamentos anestésicos locais, constituindo-se em protótipo dessa classes de fármacos. Atualmente, o uso da cocaína e seus sais, devido á potencial toxicidade e à disponibilidade de anestésicos locais de menor risco, está quase que completamente restrito à cirurgia oftálmica, de ouvido, nariz e garganta, e ainda assim, restrito devido ao potencial de abuso.

 REFERÊNCIAS
BRACJET, A.; MATEUS, L., CHERKAOOUI, S.; CHRISTEN.P.; GAUVRIT, J.-Y.;
LANTÉRI, P.; VEUTHEY, J.-L. Apllication of central composite designs in the supercritical fluid extraction of tropane alkaloids in plant extracts. Analysis, v. 27, p. 772- 778, 1999
CUSIDO, R.M.; PALAZÓN, J.; PIÑOL, M.T.; BONFILL, M.; MORALES, C. Datura metel: in vitro production of tropane alkaloids. Planta Medica, v.65, p. 144- 148, 1999
DURAN-PATRON, R.; O’ HAGAN, D.; HAMILTON, J.T.G.; WONG, C. W. Biosynthetic studies on the tropane ring system of the tropane alkaloids from Datura stramonium. Phytochemistry, v. 53, p. 777- 784, 2000.
EVANS, W.C. Trease and evans’ pharmacognosy. 14.ed London: W. B Saunders, 1996. p. 340- 408.